domingo, 21 de fevereiro de 2016

Não é típico de mim e não é por isso que as pessoas me reconhecem, mas os últimos dois dias deram o que falar. Tira tudo do lugar, seleciona, escolhe, decide, volta nem tudo para o lugar e segue para o próximo espaço. Tudo que fica tem que ficar e tudo que vai tem que ser encontrado por quem tem destino certo a dar a tudo aquilo. Pode ser que dê certo e pode ser que não tenha dono para esse tudo. O espaço amplia, o pó desaparece, o vento consegue soprar e dá aquela sensação que somente se prolonga ao respirar bem fundo e encher o peito de muito ar. E é vida que segue. Outro e outros dias virão para preencher novamente o espaço que se abriu e dar chance para o pó assentar-se mais uma vez. De tempos em tempos é tempo de não ignorar mais o pó que fica quietinho esperando um vento um pouco mais forte para se levantar e sair por aí fazendo estragos. Se o pó não estivesse por aqui, o estrago também não existiria. E os "ses" surgem como uma solução de um problema futuro de um tempo que já se foi e não está nem um pouco afim de retornar. Frente, pra frente, pra frente, frente, nossa vida vai. E vai. Eu não tiro o pó todos os dias. Quando me proponho a tirá-lo é muito bom saber que está tudo limpinho e muito bem cheirosinho. E quando tem pó eu só observo. O pó parado é a evidência que outras coisas mais importantes estavam sendo feitas. E se não for assim, algo não cheira bem e provavelmente é resultado de pó demais acumulado.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Quem desdenha quer comprar!

Aqueço as mãos esfregando levemente uma na outra e estalo os dedos como um pianista se prepara para produzir o som que encanta e emociona. O objetivo final de ambas realizações podem ser parecidos a depender das razões que cada um de nós temos para se entregar para aquilo que estamos acostumados ou apaixonados. E a diferença é grande. Sem julgamentos ou intenções de salvar o mundo de um mal que por definição do que venha a ser o ou não já é subjetivo a ponto de te fazer reler essa frase, quiçá esse texto desde o início, está faltando paixão! Paixão é o grito e não a voz calma, paixão é o alto e não o volume que agrada, paixão é o estouro e não o derramar sorrateiro, paixão é o exagero e não a medida certa do procedimento certo do planejamento que visa dar certo. Paixão, além de não ter explicação, não aceita os pormenores do porquê. Falta paixão no olhar, no perceber, no amar, no abraço, no beijo e no aperto de mão. E a consequência pode ser mais danosa que a lama que destrói as minas gerais. O excesso de conforto sem paixão enlouquece. A segurança que protege sem paixão aprisiona. O sabor da comida sem paixão adoece. E nos resta o excesso de paixão. O sangue entra em clima de maratona, desce a ladeira abaixo das veias em velocidade absurda e corre como se vencer fosse a única opção. O sorriso vem a tona com os sons que aos não apaixonados irritam. O brilho do olho ilumina e se hidrata das lágrimas de felicidade do gozo pelo amor à vida. Não espere que todos entendam, que todos apoiem e que ninguém julgue a loucura da paixão. E como já diziam os mais velhos, quem desdenha quer comprar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

desequilibrado

Muitas vezes eu escrevo, escrevo, escrevo e termino o texto, o conto, o artigo, ou seja lá que nome for o que eu tenha escrito e quando paro de escrever e acho que terminado está, pego uma palavra que mais representa o todo e lanço como míssel no campo título. E às vezes faço exatamente o oposto. É o caso de hoje. Sem que o todo esteja definido e sem ter ideia de onde isso tudo vai dar eu sei que o que quero é falar, fazer pensar, desabafar, construir alguma reflexão a respeito do equilíbrio que buscamos e do desequilíbrio que somos. Muitos sabem do meu orgulho de ter nascido e ter sido criada no interior de Minas. Nem tudo foi maravilhoso e coisa pacas deve ter sido ruim pra daná, mas eu me sinto feliz em dizer que sou do interior, em não ter nascido no centro do mundo e em poder arrastar erre com orgulho de quem conquistou o seu próprio mundo, mas nasceu em Itaúna. Pois bem, o interior tem coisas que gente importante nenhuma entenderia sem ter ouvido atentamente. E uma das coisas é ter parentesco, ou ser vizinho, ou ter falado bem ou mal algum dia na vida dos donos do comércio todo da cidade. Os que eu me lembro são a senhora da ótica, o fulano de tal da loja que consertava relógio, o outro fulano de tal da pastelaria da esquina da casa da minha avó, o Renato do Rena Supermercados, o ciclano da loja de aviamentos da cidade e a moça que todo mundo cumprimentava da loja de sapatos do centro, sem esquecer da Márcia da padaria. Os nomes não me vêem mais à mente, mas eu me lembro dos lugares, dos rostos e até da minha paixonite pelo moço da locadora de vídeo. E assim vamos indo pela prainha afora, pela praça adentro, pela avenida da casa da tia e pela rua da casa da vó. E antes de ir adiante ainda há tempo para se espantar com o fato da amiga da minha tia de um desses comércios estar na creche. O mal de (ai meu Deus, não sei como se escreve) Alzaimer fez com que a memória recente dela fosse pro beleléu, mas ela se lembra muito bem do passado. E a melhor amiga dela hoje tem cem anos. E ela vai todos os dias de van para a creche. Ela não tem netos. Ela não deixa ninguém menos do que ela própria por lá. Passa o dia, conversa, se entretém e volta pra casa e para os cuidados da filha no final do dia. Não estou certa se há muito desequilíbrio nessa rotina ou se está tudo equilibrado, sob controle, armazenadinho na gaveta certa. Não tenho certeza das escolhas que cada um dos personagens dessa série de TV fizeram e não sei muito bem o que se passa na cabeça esquecida da elegante jovem da creche. A rotina de cada um de nós não é nada além do que a rotina de cada um de nós. Nada complicado ou exótico porque rotina é rotina. E não há nada de muito especial em rotina nenhuma. O especial tende a ser aquilo que encanta a rotina, que surpreende o dia-a-dia e que nos dá alegria. Comprar um batom novo pode ser muito especial, comer uma comida gostosa também e dar um dedo de prosa ao doido da rua pode fazer um bem danado. Você é quem sabe o que é especial para você, e, se não souber busque se conhecer mais e melhor. Mais cedo ou mais tarde você vai precisar saber o que te faz bem e o que é especial pra se fazer mais feliz. E nunca se esqueça. Não se equilibre ao ponto de não sentir o frio na barriga quando o dia do desafio estiver se aproximando. Não se esconda atrás de você mesmo das dificuldades, dos problemas, das possibilidades de ofensas, dos insultos e julgamentos aos quais todos nós estamos sujeitos. O mais legal da creche é ser você mesmo e conviver com um monte de outras pessoas que vão te irritar, te amedrontar, te insultar, te alegrar, te fazer pensar e te desequilibrar por alguns instantes ou pela maior parte do tempo que você conseguir lembrar ao descansar os seus sonhos no final do dia.

sábado, 7 de novembro de 2015

Que seja bom!

De tempos em tempos, mesmo sem saber exatamente quanto tempo leva esse intervalo, pra mim é preciso parar. Parar de pensar, parar de olhar, parar de sentir, parar para comer o que eu aprendi a fazer, parar para limpar o que eu venho sujando à algum tempo por menos que eu saiba o que isso significa assim de forma bem específica na métrica mais comum da sociedade atual. Parar. Parar de julgar, parar de sonhar, parar de querer, parar de fazer, parar de conter, parar de tudo. Quase morrer. E como se quase morrer pudesse ser menos escandaloso do que o próprio dizer da frase que nem mesmo acaba de ser lida e já é escrachada pelo pensamento de quem considera pouco convencional que se queira quase não viver para depois fazer seja lá o que esteja por vir. É um parar sem querer que seja pra sempre, um parar para valorizar o ir, um parar para sentir devagar a volta a si. É pouco perceptível porque só pode acontecer quando não se é preciso ir para o trabalho, para a escola, para a venda da esquina, para a casa de quem quer que seja. Ninguém espera nada de você nesse dia. Nem a sua presença, nem a sua ausência, nem o seu bem, nem o seu mal. Você está totalmente indiferente para o mundo e aí a sugestão é que você pare. E que se enxergar seja positivo, sentir a velocidade do seu respirar seja produtivo, se olhar e se entender seja benéfico e que o medo de não saber o que você quer venha a tona e não seja engolido por todos os outros apegos que se tornaram a sua razão de viver, mesmo que muito distante do que você nem sabe querer, nem visualiza à frente, nem almeja de corpo, alma, mente e pulsar. Que primeiro o tempo da parada seja convertido em tempo da descoberta do que realmente te faz feliz de verdade e que depois a retomada tome rumo e que o rumo seja exercitar o planejamento do seu coração em direção ao alvo. E que você conheça o alvo antes de morrer, seja ele dançar flamenco, seja ele viajar para o Egito, seja ele morar na Austrália, seja ele ter um cachorro, seja ele ter um filho, ler um livro, ficar rico, ou plantar uma árvore. E se você descobrir que nada quer, que esse nada preencha o seu coração com o sentimento genuíno que o nada conquistado era exatamente o objetivo. E que a sensação de objetivo alcançado seja a razão mais do que suficiente para que a sua mente se acalme, o seu sentimento de felicidade não se acanhe e que todos se contagiem com a sua leveza, destreza e fonte de inspiração. Que você se ame muito e que seja bom!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

As voltas da vida

A vida tem as suas idas e vindas e nos adaptamos à esse vai-e-vem. É bem verdade que tentamos nos convencer o tempo todo que temos o controle em nossas mãos e mentes e, tão verdade quanto, é o fato que muitos discordam de mim quando eu discordo disso. Esse globo que chamam de terrestre gira como se fosse lunático e tudo parece se misturar para depois quem sabe quase se organizar com o próximo giro da bola gigante. As teorias não param de pairar pelo ar e as pessoas não se cansam de escolher uma delas para acreditar, defender e até se opor a quem acredita e defende teorias diferentes das suas próprias. Tudo isso parece muito complicado e pode dar um nó na mente de muita gente. O nó da mente que sente o embaraço do laço do presente é tão apertado quanto aquele que tenta prever o futuro. Aí é que fica nó cego, surdo e mudo. Que futuro sem graça esse que já está traçado, determinado, previsto e assegurado. Há muitos que discordam, mas eu tenho que admitir que gosto muito das surpresas da vida e não gostaria de viver sem elas. Algumas são horríveis e dá até uma vontade de mandá-las passear. Outras são tão boas que o desejo é de parar o mundo para nada sair do lugar. Uma desses surpresas foi mais doce que mel de abelha. O nome dela é Flor. E ela voltou. Inacreditável! Sabe aquele sonho que parece tão longe que você até desiste de dormir e se conforma em acordar? Assim era pra mim o retorno da Florzinha mais fedorentinha e amada desse mundo. Ela voltou para me fazer ser melhor. Daqui pra frente não tenho mais palavras. Prefiro agradecer ao universo e pedir para ele continuar a girar como peão.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Lemas e dilemas

Algumas pessoas estão diante da parte preta da bola e as enxergam assim. Bem preta. Outras estão olhando para a parte branca da bola e estão certas de que a bola não é e nunca foi preta. Algumas outras pessoas estão bem ali na divisa e enxergam a metade preta ao seu lado direito e a branca ao seu lado esquerdo. E os demais não concordam que a parte branca da bola esteja ao seu lado esquerdo e sim, ao lado oposto. Há alguém errado quando temos a visão do todo e sabemos que a bola tem duas metades sendo cada uma delas de uma cor e além disso, sabendo que o que cada um vê é realmente o que é possível ser visto naquela respectiva perspectiva? Todos estão certos a partir de seu prisma. Eu fui criada e até hoje sou sob o lema de termos que aceitar o outro como ele é. A parte da bola que eu consigo enxergar é que se todos me aceitarem exatamente como eu sou eu nunca vou ter estímulo nenhum para mudar. E a vida vai ficar uma chatice. Eu também fui criada sob o lema de não fazer aos outros o que você não quer que façam a você. Eu não quero que ninguém me aceite como eu sou. Eu quero que me tirem da zona de conforto, que me surpreendam, que me sacudam e que me mostrem de muitas diferentes formas que temos inúmeras formas de pensar, de agir, de amar, de sonhar e de nos sentirmos bem, ou mal. E é nesse momento que os dois lemas que foram base da minha criação entram em choque nos meus pensamentos. Não dá. Eu não me aceito como eu sou. Eu somente me amo. Mas não quero me aceitar do jeito que eu sou. Eu quero me incomodar. Eu quero me redescobrir e me aceitar de uma forma diferente para depois querer mudar de novo e me incomodar mais uma vez. E se eu quero tudo isso para mim mesma, imagina para as pessoas que eu tanto quero bem. Que maravilha que é se redescobrir, aprender o novo e o tão temível mudar! Nada mais incrível do que assumir o outro lado da bola e ver o mundo mais preto, mais branco ou mais preto e branco. Tudo isso é muito lindo na teoria. Na prática é feio. Lá vou eu me movimentar e sair da minha zona de conforto. Lá vou eu me expor diante de mim mesma e voltar melhor ou pior, mas diferente e consciente da necessidade latente de mudança. Vai ser incrível, mesmo que não seja bom em todos os momentos. O que não é bom faz a gente urrar de dor, mas tem que descer da árvore e encarar o mundo. E se escolher ficar na árvore vendo tudo de longe talvez possa se evitar a dor e quem sabe até o bote. Eu gosto do palco e não da arquibancada. Bora que o show vai começar!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ele é o tal!

Ele entra, se ambienta e arrebenta. Como se estivesse em casa ele escala a montanha que o separa da cadeira que tanto sonha em ocupar. A postura dele é por demais parecida com a do seu ídolo. Eu já o ouvi declarar repetidamente o seu amor por um deles em uma outra viagem. E tão freneticamente quanto a repetição exaustiva do eu te amo incansável, ele também insistia em apertar o botão que sinaliza para o motorista do ônibus que já é hora de partir após pacientemente esperar que o último pé do passageiro se descole do piso de lata do transporte que vai e que vem sem perceber que ele ocupou a cadeira tão sonhada. Para ele, a cadeira antes vazia de quem ele gostaria de ser foi um troféu conquistado. Ele cruza os dedos da mão e seu olhar imita com muita classe o jeito do cobrador que denuncia um ar investigativo sobre a vida alheia. Ele finge não saber de nada e o ar de responsabilidade de quem autoriza o motorista a seguir viagem é impagável. Ele é o tal! Ele tem síndrome de down. Ele me diverte, me faz acreditar ainda mais em sonhos, me deixa orgulhosa em saber que o simples ainda é percebido, curtido, valorizado e causa muito orgulho. Parabéns! Hoje você foi o cobrador da vez, me deu um boa noite ousado e seguiu orgulhoso rumo ao prazer de viver.